Revista Contra-Relógio

André Tarchiani Savazoni é jornalista, pai e corredor. Está sempre na corrida. Seja nos treinos, nas provas ou atrás dos filhos, Vitória e, principalmente, Pedro. E adora viajar para correr ou correr para viajar.

// Na Corrida/

Corridas são eventos particulares, relações de consumo, com obrigações e deveres

25/novembro/2013

Salvo raras exceções, de grandes festas ou ações sociais, as corridas de rua são eventos particulares. Assim, tem obrigações e deveres. Dos organizadores e dos corredores. É uma relação de consumo. E tem de ser encarada dessa forma. E também fiscalizada.

Em discussões de corredores, muitas pelas redes sociais, vejo o foco totalmente perdido, com as pessoas perdendo tempo com algo que não lhes cabe. Se os preços são caros, exorbitantes, é simples: “não vá”. Isso é protesto. Ninguém o obrigou a correr. Opções não faltam. Há corridas demais. Ao fazer campanha por “pipocas”, você está desrespeitando (e muito) quem aceitou as regras e pagou a inscrição. O seu espaço termina quando você invade o do outro. O maior protesto é não ir, fazer a sua seleção de eventos e ponto final.

Outro fator: se um organizador, como a Mizuno, quer fazer uma prova para 50 pessoas, gastar a verba disponível, traçar uma estratégia de marketing, é o direito deles. Se vai dar certo, se você acha que é o melhor etc e tal, não lhe diz direito. No caso, a Mizuno Uphill Marathon é um evento particular e que a marca pode fazer do jeito que bem entender, convidado quem quiser, desde que pagando as taxas e organizando corretamente e ponto final. Antes que alguém goste de falar (muito, como diz o técnico Tite), não fui convidado e não vou participar. E não vejo problema algum nisso.

Por outro lado, os organizadores, ao divulgarem um regulamento de 10 km, meia-maratona, maratona ou a distância que seja, têm a obrigação de entregar o prometido. Se é uma prova de 10 km, não pode ter 10,5 km nem 9,2 km nem 9,8 km. Se não vai pagar as taxas e aferi-la corretamente (que seria o acertado) que saiba fazer a medição correta. Ou então, que escreva, muito claramente no regulamento: distância aproximada de 10 km, de 21 km… Se houver qualquer problema no dia (uma árvore que caiu, uma rua que alagou) que obrigará a uma mudança no trajeto, que os inscritos sejam avisados antes da largada e que essa informação conste no site oficial também.

Parece uma comparação boba, mas não é: você não vai em um supermercado e compra 1 kg de açúcar e leva 700 g, um pacote de bolacha de 400 g com 300 g, não é? Há fiscalização sobre isso. Se há uma redução no peso, tem de ser avisado. Caso contrário, multas são aplicadas. No caso da distância, é a mesma coisa. Não importa a motivação que o levou a participar de uma prova, de buscar um recorde pessoal, de completar pela primeira vez a distância, de se confraternizar com amigos… a organização tem de entregar o prometido e o que consta na regulamentação, como banheiros, postos de hidratação etc.

Os corredores também têm os seus deveres. Não adianta ficar “esperneando”. Na medida em que se inscreveu, você concordou com o regulamento. Não leu? Deveria ter lido. Por isso, que todas as informações devem ser claras por parte da organização. Se a distância está lá determinada, tem de ser entregue. Assim como qualquer outra obrigação. Ao respeitar as regras, você pode se manifestar. Caso contrário, serão tão errado como quem está criticando.

Postado em: Corridas, Crônica por André Savazoni às 11:25

14 Respostas para “Corridas são eventos particulares, relações de consumo, com obrigações e deveres”

  1. “Se houver qualquer problema no dia (uma árvore que caiu, uma rua que alagou) que obrigará a uma mudança no trajeto, que os inscritos sejam avisados antes da largada e que essa informação conste no site oficial também.”
    E que se possa pedir o dinheiro de volta?

    ——————

    Nesse caso, Adolfo, se houver um problema, é “forças naturais”, não vai dar para conseguir a restituição. Isso vale para voo, para um jogo de futebol, para tudo.
    Agora, no restante, pode cobrar e entrar com ação sim. Se vai dar resultado, aí, é questão da Justiça

    Abraço
    André

  2. Eu sou a favor de se usar o Garmin para medir provas menores ou que não tenham condições de fazer uma aferição ‘oficial’. 10 km ou 10,10 km no Garmin geralmente equivalem a 10 km.

    O que não pode é ficar faltando 300, 500, 900 metros. É incrível como com a tecnologia de hoje errem tanto e não se preocupem com isso.

  3. boa tarde. li o regulamento da meia maratona de natal 2013 que prometia vários direitos para os corredores, mas no dia da prova faltou água, corremos entre os carros (inclusive ia sendo atropelado) e no final da prova recebemos, uma pacoquinha e um pirulito e sem água. a relação de consumo algo que precisamos observar, fizemos reclamações juntos aos órgãos responsável.

    ——————–

    Perfeito, Deraldo, temos de começar a fazer assim. Reclamar, cobrar e fazer que eles sejam cobrados para isso.
    Abraço
    André

  4. Minha única obervação quanto à prova da Mizuno, ou qualquer outra feita somente para convidados, é que passam a imagem de uma prova quando na verdade não é uma prova, no máximo é uma prova de mentirinha. É um evento de marketing travestido de prova, e acho desonesto passar para o consumidor a imagem de que é uma prova de verdade. Quanto às distâncias erradas, sábado corri uma prova de 5 km que tinha 4,85 km. Devo ter feito umas 8 provas de 5 km, e até agora nenhuma delas errou por menos de 200 mt.

  5. A prova de sábado foi a que mais se aproximou de 5 km, mesmo assim uma diferença de 150 mt representam no mínimo 35 ou 40 segundos no tempo final.

    ———————-

    As de 5 km são problemáticas mesmo, né… Julio Cesar.. Difícil encontrarmos uma assim… e veja, uma prova de 150m de erro dá de 35 a 40 segundos, então, é só fazermos as contas para os 10 km com 9,5, km, 9,2 km, 8,8 km….
    Abraço
    André

  6. Acredito que os corredores devem se unir. Apenas uma associação de atletas e denuncias ao procom local é que farão os organizadores prestarem mais atenção aos serviços que vendem. A minha avaliação é que aqui em BH os casos problemáticos são muito raros, e os percursos na grande maioria das vezes possuem as distâncias prometidas. De qualquer forma uma lida no regulamento da prova, e uma atualização sobre a prova na véspera da mesma resolve um grande número de questionamentos que podem surgir. Abcs!

  7. Um dos problemas que vejo é se aproveitar da famosa regra : somente a distância principal de uma prova tem obrigação de ser aferida. Ok, tudo bem, o que é errado é que eles sabem qual a distância das outras provas que não a principal (sempre pergunto e eles repondem….), mas não colocam! E vendem 5,3 km como 5km (em provas onde a principal é 10km), 10,2 como 10 km (onde a principal é a meia). Custa colocar a distância exata, já que sabem? Só porque não é obrigatório ser aferida justifica falar que a prova é de 5 e 10k, mas na realidade o 5k tem 5,6!!!! e você só descobre no final?

    ———————

    Exatamente, Adriana, por isso que defendo: tem de estar no regulamento. Tem de informar. Aí, você sabendo, opta ou não por participar.

  8. 1) Eu não vou na São Silvestre porque não gosto do que a prova se transformou, é simples; apesar disso, brigo por ela, por tudo o que representa, mas não prestigio o que não é bom no meu ponto de vista;
    2) sobre medição, a título exemplificativo, achei interessante que as recentes edições da Corrida da Ponte indicassem corretamente a distância de 21.400m (não tentaram muquear uma meia oficial);
    3) Se não tiver a distância correta, se medir por GPS ou qualquer outro meio “aproximado”, que os organizadores tenham a hombridade de, pelo menos, informar isso;
    4) A Mizuno Uphill é uma prova e ponto. Competitiva, o pessoal vai lá pra dar o seu melhor. O fato de ter apenas convidados ou selecionados não a transforma em menos prova ou prova de mentirinha (e sim, eu vou e isso não mudou minha opinião, a Nike 600k, na qual eu não fui, também foi uma prova similar e não teve nada de mentirinha).
    5) Poucos, poucos corredores prestam atenção no regulamento antes de se inscreverem, alguns leem depois ou ficam sabendo depois de detalhes que passaram despercebidos e aí reclamam.
    6) Correr na pipoca é tentar assistir um filme no cinema sem pagar entrada. Simples assim. Não entendo porque a pessoa teria o “direito” de usufruir de algo assim. De qualquer forma, black bloc está na moda, e pipoca por protesto é basicamente isso.

  9. Concordo em gênero, número e grau.
    Simples assim.

  10. Caro André, apesar de ser um evento particular, a corrida é realizada num espaço público, a rua, avenida, estrada etc., e, partindo de uma premissa de um Estado Democrático de Direito, o “pipoca”, ou quem quer que esteja na rua, avenida, estrada etc., dali não pode ser retirado, de forma alguma! O Direito de ir e vir, é um direito fundamental, e encontra respaldo na nossa Carta Republicana. Resta, penso eu, um bom senso das pessoas (e é, na verdade o que você escreve, e bem!)Escrevo por amor aos debates (sic).
    Abraços e adoro seus textos.

    ————————-

    Nelson, ninguém tira os pipocas. Pelo menos nunca vi alguém tirar! Minha crítica é quanto à forma de protesto. Agora, a discussão é boa. Você falou que a rua é um espaço público. Porém, naquele horário, ele está alocado, alugado, separado, o termo que quiser, para um evento particular. Foram cobradas taxas para isso. O organizador pagou para usar aquilo (e muito, as taxas estão cada vez mais altas em alguns lugares). E isso vale para ginásios e estádios municipais. Ou a pista de atletismo do Bolão,em Jundiaí, que eu uso. É pública, aberta a todos. Direito de ir e vir. Mas há dias em que há eventos lá, competições e que está fechada para a prática minha e de qualquer munícipe. Durante aquele período. Ou seja, na questão da rua/avenida, a interpretação pode ser a mesma… Como gostamos de debate, o tema é bem interessante e dá para defender os dois lados facilmente, com ótimos argumentos.

    Abraço
    André

  11. Boa André! O resto é mimimi! Abs

  12. Estou sentindo o cheiro de discussão sobre a São Silvestre? Tal como as matérias sobre o preço do bacalhau na semana santa, sobre as compras de última hora no natal e sobre os atrasados do vestibular, essas conversas sobre corridas que não entregam são muuuuuuuuito chatas.

    Todo mundo sabe, São Silvestre é um porre, Circuito de loja cara no shopping é desfile de modas, corrida de estréia é sempre um risco enorme. Ainda assim, há que vá. Quem sou eu pra criticar?

    Tá certo o André. Tu não volta ao restaurante que te serviu mal, assim como tu não entra no restaurante caro demais e come o que está servido na mesa dos pagantes. Simples.

  13. […] é demais (re)lembrar ao corredor mimado que uma corrida é um serviço como outro qualquer, não sendo de primeira necessidade, você contrata se desejar ou não. Ponto final! “Correr de […]

  14. Bem lembrado que existe direitos e obrigações, tanto de atletas como de organizadores. Creio que provas via Federação de cada Estado, deveriam ser fiscalizadas, para que fossem garantidos esses direitos. Em Fortaleza em Janeiro houve uma prova cancelada ( Planeta Verão) que o Organizador sequer responde e-mail´s e ainda não devolveu o dinheiro das inscrições ( que inclusive foi a mais cara até então em nossa Cidade). Na pratica, os corredores amadores não tem suporte algum para fazer valer seus direitos. O seu comentario foi perfeito em relação a preço: participa quem quer . Se faz a inscrição, não vejo motivo para reclamar. Há muitas provas ainda, com preços acessiveis. Ser pipoca é desrespeito ao participante que se inscreveu e mais desrespeito ainda, quando usufrui da estrutura da corrida, recebendo lanches e até medalhas, se aproveitando da situação.Todos os comentários foram perfeitos em relação a realidade atual dos corredores e corridas de rua. Abraço

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