Revista Contra-Relógio

André Tarchiani Savazoni é jornalista, pai e corredor. Está sempre na corrida. Seja nos treinos, nas provas ou atrás dos filhos, Vitória e, principalmente, Pedro. E adora viajar para correr ou correr para viajar.

// Na Corrida/

Uma queda, um dedo fora do lugar. Acontece. Mas, e se estivesse sozinho?

26/março/2012

No sábado, estive em Paranapiacaba. A “cidade que parou no tempo” recebeu a terceira etapa da Copa Paulista de Montanha. Nunca corri uma prova tão difícil. O barro, o rio, a erosão, a chuva da semana, as trilhas fechadas, os troncos… Realmente, uma aventura. Tanto que, pela primeira vez, não completei uma corrida. Um tombo, no trecho mais fácil, próximo ao km 8 e o dedão fora do lugar. Caí para o lado esquerdo, machuquei a mão direita. Vai entender. Corri mais um pouco, mas achei melhor parar. No PS, tudo resolvido. Agora, valeu uma reflexão, que nunca tinha feito: em provas assim, o ideal é nunca ir sozinho.

Como era um passeio diferente (que as crianças adoraram, por sinal), estava com a família toda em Paranapiacaba e vários amigos. Então, com o dedo já no lugar e uma tala só por garantia, seria difícil dirigir. Não impossível. Se a necessidade pedisse, daria um jeito. Dolorido, claro, e não 100% seguro (nem inteligente). Com a Mari junto, ela voltou guiando e pronto. Tudo resolvido.

Agora, levar um tombo faz parte do kit das provas de montanha (e pode ocorrer no asfalto também!). Lógico que havia diversos amigos na corrida, que ajudariam no que precisasse, mas a situação vai ficando mais complexa. Por exemplo, Antonio Colucci, Nishi, Ângelo da Silva, só para citar três, estavam em Paranapiacaba. Mas os três foram sozinhos. E se um deles tivesse machucado a mão? Alguém daria uma carona? Claro. Mas e o carro? Viu como vai ficando mesmo complexo. Ah, não estou agourando ninguém! (rs)

Aqui em Jundiaí, na maior parte do tempo, sempre montamos uma “barca” para as viagens. Dois, três, quatro, oito corredores… muitas vezes, o comboio é bem grande. Até vans chegam a ser alugadas. Uma segurança a mais. Outro ponto a refletir: quando vou de carona com alguém, em 99% das vezes, levo o RG, dinheiro, um cartão bancário e… só. A carteira de motorista fica em casa. Ou melhor, ficava. Desde sábado, ela estará sempre junto. No lugar do RG. E fica a dica, quando possível (principalmente em corridas mais distantes ou com risco maiores, como as de montanha), não vá sozinho. Outra opção é ir com agências de viagem, que fazem o traslado.

Ah, só para confirmar, minha mão está ótima (tanto que estou escrevendo esse texto na boa). Os corredores que viram, ficaram assustados com o dedão parecendo um S, fora do lugar! Mas eu sabia que não era nada. No PS o médico colocou no lugar, fez uma tala de segurança. Ontem, tirei um raio X por segurança e nada de lesão. Só imobilizado por alguns dias, para recompor o ligamento. Nada que atrapalhe a corrida. Como teste, rodei 3 mil fortes ontem (11:16) para ver como me sentiria. Dor alguma. Hoje é off e, amanhã, treino normal. Só mais uma história para contar.

Foto: Ainda (um pouco) sujo de lama, mas com o dedo já no lugar indo tomar uma ducha. Tião Moreira captou o momento!

Postado em: Corridas, Crônica, Montanha por André Savazoni às 10:57

14 Respostas para “Uma queda, um dedo fora do lugar. Acontece. Mas, e se estivesse sozinho?”

  1. André, seu menino! Quem brinca com fogo faz xixi na cama! Ainda bem que mantenho as orações pelo seu anjo da guarda. Mas ele me disse que vai pedir aumento…vou ter de rezar mais por você! Se cuida!

    ————————————

    Estou rindo muito aqui Leo. Sexta-feira chego aí em BH. Que nada, coisas que acontecem. O anjo da guarda está sempre comigo! Pior que caí no trecho “fácil”. Já tinha passado o pior. Acho que desconcentrei, relaxei porque, dali para frente, seria “tranquilo”. Isso é fatal!

    Abraço
    André

  2. Ainda bem que o título não foi este: “Uma queda, um dedo fora do lugar, Raio X, Fratura, Adeus Boston. Como explicar isso para minha família com férias já marcadas para os Estates?” kkk

    ————————–

    Que nada Alex, iria de qualquer jeito, rs. É a mão, vou correr com as pernas e o coração! kkkk

    abraço
    André

  3. André, semana passada bati numa raiz de árvores e fui ao chão. Alguns raspões no antebraço, uma pancada no quadril e o joelho com um corte de 5 pontos no PS. Fazia um longão e estava na parte final do treino. Mas nada atrapalhou, continuei treinando e o joelho esta demorando a cicatrização por óbvios motivos funcionais. Acidentes acontecem. Bons treinos.

    ————————-

    Isso mesmo, Breno, bola para frente.
    Abraço
    André

  4. André eu tenho uma tese formulada, pois quedas nos levam a reflexão mesmo, kkk. Quando caímos, insconscientemente protegemos as pernas e joelhos e machucamos braços e mãos. Afinal as pernas são mais importantes, kkk Lá no Atacama meu cotovelo ficou destruído, está ainda…mas as pernas…mais inteiras do que nunca!

    ——————–

    Luciana, pode ser isso mesmo. Eu procuro “deixar cair” para não machucar nada. Tinha caído alguns quilômetros antes, e foi igual a um saco de batatas, de lado, para não bater nada especificamente!
    Abraço
    André

  5. Ah, me lembrei, depois da queda, levantei fortalecida e fiz a segunda metade da prova, mais rápido do que a primeira. Agora… no seu caso, tinha que abandonar mesmo… eu não tinha nada a perder, só o pódio, kkk. Mas vc não deveria nem estar lá na montanha, “seu muleque”! Sucesso em Boston.

    ———————–
    Parei por isso mesmo, por me preocupar com a maratona. Se fosse uma prova-alvo, teria ido até o final e depois cuidava do machucado!

  6. Olá André!

    Você sofreu um acidente muito parecido com o que sofri no Mountain Do Campos do Jordão no dia 11 de setembro de 2010 (por coincidência na mesma data que as torres gêmeas tombaram 9 anos atrás), também corri num trecho relativamente bem menos perigoso, o principal motivo que me fez relaxar a atenção, e trupicar numa pedra num ritmo próximo de 4 minutos por km e também lesionando o dedo da mão.

    Repito aqui o relato do que aconteceu extraido do postagem que fiz na época:

    …esta foi minha última foto antes de levar uma tombo bem feio, pois “no meio do caminho tinha uma pedra”, aliás várias pedras, e uma delas que estava discretamente enterrada foi minha algoz, eu que nesse momento estava correndo num ritmo abaixo de 5 minutos por km, tropiquei e meu corpo foi jogado para frente, cai quase de peixinho, só que não tinha água, risos, para salvar a câmera levantei meu braço direito e quem levou a maior parte do impacto foi minha mão esquerda, para piorar a situação devido ao forte impacto da ponta do pé esquerdo com a pedra tive no exato momento uma forte cãimbra na panturrilha esquerda, devo agradecer a Márcia Shiraishi e outros corredores que pararam para me ajudar, no começo não conseguia nem caminhar, mas como meu corpo estava quente resolvi continuar até o fim.

    Mais detalhes estão no artigo:
    Mountain Do Campos do Jordão – Acima de Tudo
    http://marcosvianapinguim.blogspot.com.br/2010/09/mountain-do-campos-do-jordao-acima-de.html

    Desejo melhoras!!!

    Um grande abraço!!!

  7. Ainda bem que não foi nada grave.
    No sábado, voltando para SP, fique refletindo sobre isso: e se fosse comigo?
    Seria complicado mesmo.
    Na próxima tentarei ir com alguém, mesmo que amarre e leve a força.

    Abç

    —————————–

    Então, Angelo, foi isso que fiquei refletindo ontem. E nem estou falando de algo grave. No meu caso, não foi grave, mas dirigir (ainda mais do jeito que foi colocada a tala, no estilo “curti” do Facebook), seria difícil. Doeria, não daria segurança, para trocar as marchas seria difícil. Ontem, com a nova tala, bem mais fácil, e já quase sem dor alguma.

    Vale mesmo a pena ou levar alguém junto ou marcar com outra pessoa que vai correr.

    Abraço
    André

  8. Acredita, que confesso ter lido bem por alto, pensei que era o dedo do pé. Agora refletindo bem não tinha muito sentido isto kkk

    —————

    Rs Alex, acontece nas melhores famílias! Foi o da mão direita, o dedão, quando caí, ele deve ter batido no chão, sei lá, ainda mais porque o tombo foi para o lado esquerdo. Confesso que já tentei me recordar de como foi, mas paciência, já era. Uma bobeada de alguns segundos.

    O pé tinha tanto barro e areia, por fora e dentro, que não tinha como machucar. Estava instalado o “lama-bag”. Estou lavando o tênis desde domingo cedo e não para de sair areia! Até galhos e pedras já achei dentro. A meia e a camiseta da Contra-Relógio, brancas, já foram colocadas de molho várias fezes e continuam marrom!

    Abraço
    André

  9. André, essa corrida de ParanaMEacaba foi dureza mesmo. Achei até bom saber que eu tinha compromisso na madrugada de domingo para não me extropiar no sábado. Coisa de maluco aquilo.
    Melhoras pro seu Dedo e bons treinos na reta final. juiiiiiiizo hein! hehehe

    Fui sozinho porque não achei nenhum maluco para me acompanhar no horário e fiquei pensando nessa possibilidade no meio da trilha, o que me fez evitar muitos tombos e simplesmente terminar a prova. Ainda comentei com a Simone no percurso, E SE CAIR FEIO AQUI NO MEIO DO NADA? Senta e chora?

    Abraço
    Colucci
    @antoniocolucci

    ——————————-

    Então, Colucci, dependendo de onde estiver na trilha, senta e chora mesmo. Se bem que na hora, outros corredores irão parar para ajudar, mas não é fácil mesmo. O acesso muito complicado. É um risco assumido.

    E tem o detalhe que abordei, do retorno para casa depois. Uma coisa já coloquei na cabeça, não vou mais para provas de montanha sozinho de carro. Nem pensar. Ao menos, em dupla, se a família não puder ir junto.

    Abraço
    André

  10. Que bom que só foi um susto. Agora o pesoal aqui em Itaí sempre tente viajar junto por causa de problemas inesperados… mas no ano passado, alugamos uma van para uma corrida em Sp e a van, novinha, quebrou na Castelo Branco. Abraços

    ———————–

    Fausto, daí, é o imponderável, rs. Mas essa ideia de ir junto, é fundamental.

    Abraço
    André

  11. Ah, eu não estava sozinho. Estava sozinho no meu carro, mas tinha um monte de amigos da assessoria. Mas se pensar muito nisso eu não faço minhas provas. Vou pra Mont Blanc sozinho, né? Corri no ano passado uma prova duríssima de montanha em Portugal também sozinho, sozinho. Mas já torci o pé correndo no asfalto do Ibirapuera…

    ————————————-

    Claro, Nishi, tanto que coloquei no texto que o “sozinho” não era especificamente sozinho, mas que ter alguém junto, viajando junto, dá uma segurança maior, isso dá.

    Abraço
    André

  12. Oi Andre,

    O Colucci estava contando a “aventura” desta prova no Domingo na T&F e contou o ocorrido.
    Vejamos pelo lado bom, trouxe uma reflexão e um recado para você “sossegar” até Boston. E que bom que foi só um susto e não algo mais grave.
    Neste momento (o futuro é outra coisa) eu estou na turma do Sergio Rocha, esse negócio de corrida de montanha não é pra mim, é outro esporte que respeito muito, mas não é o mesmo esporte que eu pratico.
    E acho que fazer esses 12k, com rio e tudo mais em 57 min é um ritmo impressionantemente insano.
    Abraços e bons treinos, com cuidado.
    Alex.

  13. Andre,
    Qdo cheguei perto e vi vc sentado no chão, com o dedão virado, cara! deu uma baita aflição, naquele momento era só te apoiar pra continuar correndo até os Stafs e qdo nos reencontramos já na praça de chegada e vc mostrou o dedão curado, fiquei contente e espero te ver em outras provas. Abraço Wagner n. 8

    ————————–

    Wagner, seu apoio, como de outros que passaram, ajudou bastante. Eu sabia que, apesar da imagem “impactante”, rs, era só colocar o dedo no lugar. Se tivesse um médico no lugar do tombo, um minutinho e eu já estava correndo. Coisas que acontecem.

    Nos vemos em Campos do Jordão.

    Abraço
    André

  14. HERMANO, BOA RECUPERAÇÃO, MAIS UMA ESTAMOS JUNTOS!

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