Revista Contra-Relógio

Rodrigo Lucchesi é engenheiro de formação e corredor de coração, esporte que adotou em 2001. Corre pela endorfina e para poder comer chocolate e tomar açaí sem culpa.

Eu e a Detox

12/janeiro/2014

Ano novo é aquela coisa, vida nova, todo mundo cheio de resoluções para melhorar de vida e este que vos escreve teve uma brilhante ideia: que tal começar o ano de forma saudável, fazendo uma dieta detox para purificar o organismo?

Pois é, tinha lido na casa de uma prima o livro de uma nutricionista das celebridades que ensinava o passo a passo de uma dieta de apenas 7 dias para desintoxicar o organismo. Não que eu coma muito mal, mas se pode melhorar né, porque não tentar? E lá fomos eu e a patroa nessa empreitada.

Em suma, a tal dieta detox te deixa uma semana sem: proteína animal (nem frango nem peixe!), lactose (e o queijinho nosso de cada dia?), glúten, açúcar, álcool, cafeína e mucho mas. “E sobra o que para comer?”, você me pergunta. Pois é, punk total.

“Mas, Rodrigo, você está acima do peso, fora de forma, com alguma doença, se sentindo mal ou algo que justifique o uso de uma dieta tão radical?” Não, eu apenas sou teimoso, cabeça-dura e gosto de me propor desafios desnecessários.

O 1º desafio foi comprar os ingredientes no supermercado. “Granola sem glúten” dizia a lista. Eu nem sabia que granola tinha glúten! Não só tem, como não achava a versão sem glúten em lugar nenhum. Não tinha no supermercado, não tinha no hortifruti, não tinha no mundo verde… E todos os grãos? Chia, quinoa, linhaça, gergelim…  Nossa cozinha virou uma floresta de tantos vegetais espalhados.

No primeiro dia, comecei tranquilo. Um suco verde ao acordar, melão com granola no café da manhã…aí veio o almoço: “hamburguer” de quinoa com legumes cozidos. Sim, entre aspas porque aquilo era quinoa prensada e nada mais! Veja bem: eu não sou um cara junkie, não tomo muito refrigerante, não fumo, não bebo álcool, mas para um corredor também não sou tão regrado assim: como muito chocolate, muita carne vermelha, tomo muito café e não gosto da grande maioria dos legumes. Então almoçar quinoa com legumes cozidos foi um graaaaande desafio.

Terminei o primeiro dia com fome, aquela sensação de “falta-alguma-coisa-na-minha-vida”, um vazio espiritual, mas ainda estava motivado. Entretanto, no dia seguinte, depois de uma farta lasanha de berinjela no almoço, meu corpo não aguentou mais. Veio uma dor de cabeça, seguida de náuseas, enjôo e…como dizer isso de forma educada?  Coloquei para fora toda a comida do dia por via oral. Duas vezes em um intervalo de meia hora! E ainda passei o resto do dia enjoado. Não sabe brincar, não desce pro play! Pedi arrego, pedi as contas, pedi para sair. Ok, o livro avisava que podia acontecer uma crise de abstinência, que era preciso ser forte e continuar. Mas eu não tinha porque passar mais 5 dias me arrastando pela casa como um morto-vivo. Pedi a conta!

No dia seguinte, café preto e pão com requeijão, adeus detox! Nós não fomos feitos um para o outro. Sei que ali tem lições importantes de alimentação e vou, sim, incorporar algumas de maneira gradual. Mas nesse tratamento de choque não me meto mais!

Ps: A minha mulher levou numa boa a dieta. Minha prima fez a mesma coisa em casa e o marido dela também passou mal. Acho que as mulheres são mais fortes até neste quesito…

Contato: rodrigo79@gmail.com / twitter @rdlucchesi

Postado em: Nutrição por Rodrigo Lucchesi às 23:35
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