… com muito atraso, a minha São Silvestre…
9/janeiro/2011
A primeira vez que pensei em correr a São Silvestre foi em 2006. Fiz a inscrição e intensifiquei meus treinos. Um mês antes da prova, no entanto, uma dor na canela foi diagnosticada como “fratura por estresseâ€. Quando meu treinador falou que eu não poderia participar, chorei. No ano seguinte eu fui à forra, completando em 1h35m.
Em 2008 e 2009  fiquei fora novamente – uma vez por opção, outra por conta de uma lesão (tendinite no quadrÃceps).
Em 2010 a SS não me escaparia. Ainda mais por ter sido um ano muito especial para mim nas corridas, quando bati todos os meus recordes pessoais: 49 minutos nos 10K; 1h24m nas 10 milhas (16K); 1h52m na Meia Maratona (21K); 3h53m na Maratona (42K). Isso sem contar minha participação na Equipe Imprensa na Nike 600K, prova de revezamento de São Paulo até o Rio de Janeiro.
O que estragou um pouco o brilho desta última São Silvestre foi a entrega antecipada das medalhas aos corredores. Os organizadores, alegando “medidas de segurança na dispersãoâ€, incluÃram a medalha no kit do atleta, distribuÃdo dias antes da prova.
O assunto das medalhas já deu o que tinha que dar, eu sei. É chato ficar falando disso ainda. Mas eu tenho a impressão de que a coisa pode pegar. Não nas provas da Yescom (que em sua newsletter sobre a Meia Maratona de São Paulo já avisou que as medalhas serão entregues depois da prova), mas na própria São Silvestre.
Basta ler as palavras do diretor geral da São Silvestre, Sr. Júlio Deodoro: “Em termos de logÃstica, foi muito bom, porque solucionamos dois itens que nos davam muito problema: recolher o chip e entregar a medalha“. A medalha, para ele, é um problema.
Nos vários comentários sobre o tema, alguns leitores questionam “por que se importar com um pedaço de metal preso em uma fita?” Veja bem, não é a coisa material, mas a falta de respeito pelos sentimentos, pensamentos e argumentos dos corredores. É o que eu acho. Só isso.
Bom… Polêmicas à parte, lá fui eu para a Avenida Paulista no dia 31 de dezembro. A largada para a elite foi dada à s 16h50, mas eu só passei pelo pórtico à s 17h08 – afinal, éramos 21 mil corredores!
Minha meta era concluir os 15 quilômetros em 1h30m – ou seja, ir a um ritmo de seis minutos por quilômetro, o que já me faria bater minha marca anterior.
Mas a São Silvestre é uma festa, tem uma energia muito legal, você dá risada com milhares de “personagens†ao longo do caminho e é difÃcil não se empolgar, ainda mais bem treinada e acompanhada de amigos.
Ao lado de vários deles, deixei minha tradicional concentração de lado para me divertir, correndo e brincando com as pessoas.
Quando vi, descÃamos a Rua da Consolação (ainda bem no inÃcio da prova) em um ritmo abaixo de cinco minutos por quilômetro: “para baixo todo santo ajudaâ€.
Pois é, ainda tÃnhamos pela frente o Minhocão (Elevado Costa e Silva), uma extensa Av. Rudge e a temida subida da Av. Brigadeiro LuÃs Antônio. O melhor a fazer era poupar energia. Mas quem disse que eu conseguia? Parecia que minhas pernas tinham vida própria – e eu corria, feliz.
Fui encontrando outros tantos amigos e conhecidos pelo caminho, dando e recebendo força para continuar. Anônimos também me empolgavam – trocávamos palavras de incentivo e seguÃamos adiante. Quando olhei no relógio, me espantei: “Já estamos no quilômetro 10! Está passando muito depressa…â€
E faltando pouco mais de dois quilômetros para o final, lá estava ela: a subida da Brigadeiro.
Um senhor de 63 anos, seu José da Paz, emparelhou e fomos juntos. “Soca a bota!â€, gritava ele. Eu ria e mandava ver. Comecei a cansar já no finalzinho da subida – mas agora faltava pouco.
Virando a esquina na Avenida Paulista, era correr para o abraço. E com 1h24m21s cruzei o pórtico de chegada! Melhor do que eu previa.
Foi uma corrida linda graças aos corredores que são a alma da São Silvestre e que fazem dela essa festa!
Postado em: Depoimento, Prova por Yara Achôa às 9:51
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