Revista Contra-Relógio

Yara Achôa é jornalista, mãe e corredora. E depois de sua maratona sub-4, vem se achando a tal! Ama correr no asfalto, mas também adora uma aventura na montanha.

… o “morro maldito†de Floripa…

17/junho/2011

É, eu sei. Já foi faz tempo… Mas para quem não leu na revista desse mês, aqui vai o breve relato da subida do “morro maldito” na Volta à Ilha 2011, em Floripa, no final de abril.

E outro dia, longe de montanhas ou asfalto, vivi sensação parecida a de enfrentar “o morro”. Mas é assunto para outro post.

“O morro maldito é meu!”

No dia em que a equipe imprensa se reuniu para definir os trechos da Volta à Ilha fui escalada para fazer o Morro do Sertão, carinhosamente apelidado de “morro maldito†e considerado o “mais difícil†da Volta à Ilha. Abracei a ideia com um misto de orgulho e medo. Por mais que eu estivesse acostumada com provas de montanha, sabia que cada morro era um morro. E do “maldito†já tinha ouvido os mais assombrosos comentários. De concreto, sabia que seriam 15 km divididos em uma subida absurda e uma descida quase vertical.

Por fazer o morro, só me coube antes um pequeno trecho de 5 km, bem no início do dia. Corri por volta de oito da manhã e tentei controlar a ansiedade até que, por volta das três da tarde, um integrante da equipe anunciou: “lá vem vindo o Leandro. Chegou sua hora Yara!â€

Veja aqui o vídeo que o @CassioPoliti gravou na hora da minha largada para o morro:



Eu disse que estava tranquila. Mas não sei se estava mesmo. Só sabia que tinha que encarar os 15 km insanos que estavam pela frente. Felizmente o sol já tinha dado uma amenizada. Parti, pegando um trechinho de praia e logo acessei uma estradinha solitária que conduzia ao morro.

Assim que avistei o “maldito†meu desejo foi não pensar em nada. Queria que a próxima hora passasse rápido, para me “livrar†logo daquilo. E lá fui eu, correndo quando podia e caminhando boa parte do percurso, ultrapassada por muitos homens. Sim, só via homens fazendo o morro!

A subida foi diferente de todas as outras que já encarei. Cheguei a sentir desânimo e raiva por achar que não estava dando conta, mas também agradecia a oportunidade de encarar aquele trecho tão temido e que me fortaleceria um pouco mais de corpo e alma.

“Faltam 400 metros de subida, depois é só descerâ€, anunciou uma pessoa da organização. Pareceram os 400 m mais longos da minha vida. E o “depois é só descer†na verdade era um quase despencar. A descida não foi nada fácil. Me larguei como pude, tentando também recuperar um pouco do tempo perdido na subida.

Leia também: Revisitando as Montanhas

Ao final do morro seriam mais 5 km de asfalto e pronto! E no asfalto eu poderia dar uma recuperada. Mas quem disse que dava. Tive câimbras fortes nas panturrilhas e administrei as dores para não ter que parar.

Faltando uns 2 km para chegar, a respiração ficou mais curta e veio uma grande vontade de chorar. Era algo parecido com que senti quando corri minha primeira maratona. Eu tentava identificar o porquê daquela emoção e não chegava a uma conclusão. Ordenei a mim mesma que parasse com aquilo!

Finalmente os últimos metros. Coração na boca. Entreguei o bracelete de revezamento ao próximo integrante da equipe. E chorei. O Vicent Sobrinho veio me fotografar e eu reagi dizendo que não queria… Precisava ficar um pouco sozinha e entender qual o motivo daquela minha reação. Na hora pensei que era raiva – pelas dificuldades, pela performance que achei que não tinha sido tão boa (completei em 1h41m e sei que não foi ruim), pelo  morro, sei lá….. Mas acho que foi um choro de alívio, de lavar a alma, de superar mais um obstáculo, quem sabe até de felicidade. E, quer saber, faria tudo outra vez.

Leia também o Relato da Minha Primeira Maratona, em 2008

Postado em: Depoimento, Gostei!, Prova, Relato por Yara Achôa às 19:25
4 comentários »

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