São Silvestre e a mudança do percurso: pronto, falei!
10/setembro/2011
Eu e meu amigo e “vizinho de blog” Vicent Sobrinho decidimos finalmente nos manifestar.  Embora eu seja uma corredora da nova safra e ele um personagem vivo da história da corrida de rua, temos sentimentos muito próximos em relação ao esporte.
No post abaixo está a minha visão.
A dele está aqui:  São Silvestre – Tradição e história enterrada no Obelisco!
***
No comecinho da noite do dia 1º de setembro, quando comecei a ler sobre a mudança do percurso da São Silvestre – com chegada no Parque do Ibirapuera e não mais na Av. Paulista -, pensei: “agora é que acabou mesmoâ€. Acabou a tradição, acabou o charme da prova.
Começar e terminar a corrida na mais paulista das avenidas é, sim, uma tradição, uma marca, um diferencial, como queiram chamar.
Sei que em seus 87 anos de existência a SS teve outros percursos. E uma vez, no começo dos anos 80, quando ainda era realizada à noite, o ponto final foi no Estádio do Pacaembu. A mudança, porém, não agradou e o local de chegada voltou para a Paulista.
Não se trata de mais uma corrida, mas de “a corridaâ€. A São Silvestre é a prova mais tradicional do atletismo do Brasil. É tÃpica, querida, endeusada. Está no imaginário das pessoas, carrega lembranças. O corredor reverencia e respeita a prova, por mais que ela tenha um caráter festivo.
Organizadores argumentam falando em segurança. Mudam a chegada (e no ano passado entregaram a medalha antes da corrida) “pensando na segurança do corredorâ€. Ao mesmo tempo falam em aumentar o número de inscritos. Milhares de pessoas a mais circulando pelas ruas não compromete em nada a segurança, né? Só para eu entender…
Lembrei que no ano passado, na coletiva de imprensa realizada em dezembro, os organizadores já sinalizavam com mudanças no percurso. Na época disseram que haviam enviado projeto para a CET, que só não foi aprovado porque não houve tempo hábil para tal. Agora dizem que foi a CET que quis mudar o percurso…
De quem quer que seja que tenha partido a ideia, imagino que não tenha havido a menor preocupação com o sentimento do corredor e com sua reação – afinal, que bobagem isso, não é mesmo?
Ah… Outra coisa que lembrei… Também no ano passado, quando questionei a um dos organizadores se não havia mesmo alternativa para que a medalha fosse entregue depois da prova, visivelmente irritado ele respondeu: “me apresente uma alternativa, venha você organizar a provaâ€. Em tempo: até fizemos algumas sugestões, que foram ignoradas, claro.
Tivemos (eu, você, qualquer corredor e os organizadores) esse ano inteiro para conversar civilizadamente. Alguém quis ouvir sua opinião? Houve ao menos proposta de diálogo? Foi realizada alguma pesquisa com corredores?
Acho que a solução mais fácil é criar um regulamento e dizer: “são essas as regras, se você quer, ótimo. Se não quer, tem quem queira.â€
Sei que tem gente que vai dizer “se você não quer mais correr essa prova, não corraâ€.
Depois da patetada da organização no ano passado estava desanimada mesmo. Podia deixar a polêmica para lá e simplesmente dizer “não tenho nada a ver com isso”. Mas como deixar pra lá esse assunto? Me tiraram mais uma vez o prazer de correr uma prova que eu adoro e eu não vou falar nada? Mesmo que seja apenas como um desabafo, aqui nesse espaço que é o meu blog, resolvi me manifestar.
Uma coisa eu tenho certeza: não sou parte de uma meia dúzia de descontentes. Prova disso aqui estão outros textos muito bem escritos por jornalistas corredores (e as manifestações de seus leitores), gente que entende do assunto, que corre e vibra pelo esporte.
Confira:
A morte da São Silvestre, por Erich Beting
São Silvestre 2011: tradição no lixo, por Bruno Vicari
SÃO SILVESTRE 2011, por Ricardo Capriotti
Sonata da última corrida, por Alessandra Alves
São Silvestre – Tradição e história enterrada no Obelisco!
Postado em: Atualidade, Desabafo, Reflexão por Yara Achôa às 10:45
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