Para que a tradição da São Silvestre seja respeitada
15/setembro/2011
A São Silvestre, corrida com 87 anos de existência, representa o auge da celebração do esporte corrida de rua. Reúne atletas profissionais e amadores de todo o país e do mundo, que comemoram o final de mais um ano correndo pelas ruas da cidade de São Paulo.
É um evento único, com caráter participativo e competitivo. É festivo para as centenas de corredores fantasiados e outros tantos que ali estão pelo prazer de correr e de se superar, ao mesmo tempo em que é uma competição de nível internacional certificada pela IAAF. Une, como nenhuma outra corrida, paixão pelo esporte e performance.
Se entre amadores a SS estimula a busca pela qualidade de vida e o desejo de superação, para os profissionais significa a chance de se destacar. Ela revela talentos do esporte, abre portas para novos atletas e planta o sonho em muitos outros. Vencer a São Silvestre representa estar no Olimpo do atletismo.
Mas São Silvestre é muito mais do que uma corrida de rua, talvez seja o único evento esportivo onde o contemplativo, gratuito, reúne milhares de pessoas no Brasil. Tanto é que a televisão quer transmitir. A história da prova, com grandes atletas, a celebração do fim do ano, os esguichos de água no Minhocão e rua Olga, as pessoas no trajeto são situações exclusivas da SS. Somam muita gente, apoios importantes. Isso também, a nosso ver, é motivo para a preservação de suas características pela municipalidade.
Que outra prova é tão querida e está tão presente no imaginário das pessoas, corredores ou não?
Tudo, claro, é resultado de anos de esforços. Ao longo do tempo, a São Silvestre fez seus ajustes de percursos e horários. Mas conseguiu manter reunidas excelentes qualidades daquilo que há de mais difícil para um evento esportivo: tradição, data fixa de realização (o que permite a organizadores e atletas fazer todo um planejamento), cobertura de mídia e ser um objeto de desejo do consumidor.
Tradição, porém, é uma palavra que está sendo descartada da versão 2011 da prova. Em nome da “modernidade”, da “renovação” e do “conforto”, foi anunciado que a chegada será transferida da Avenida Paulista para o Parque do Ibirapuera. Decisão tomada por parte dos organizadores, sem debate ou qualquer consulta aos verdadeiros donos da prova: nós, os corredores.
Nós, jornalistas corredores e profissionais da corrida, estamos aqui empenhados em fazer com que a tradição seja respeitada e a chegada da São Silvestre seja mantida na Avenida Paulista.
Com argumentos que vão desde a manutenção da tradição, passando por questões de logísticas (somos corredores e conhecemos bem a dificuldade de se largar em um local e chegar em outro, por exemplo) e até sugestões técnicas, estamos abertos ao diálogo.
Se você também é a favor da discussão saudável, tendo em vista a manutenção da tradição da São Silvestre, preservando sua alegria e sua segurança, junte-se a nós.
Comissão de jornalistas e profissionais da corrida
Alessandra Alves, jornalista
Alexandre Koda, jornalista
Ana Paula Alfano, jornalista
Bruno Vicari, jornalista
Cássio Politi, jornalista
Erich Beting, jornalista
Fernanda Paradizo, jornalista
Harry Thomas Jr., jornalista
Martha Dallari, vice-presidente da Associação dos Treinadores de Corrida de São Paulo (ATC)
Nelson Evêncio, presidente da ATC
Ricardo Capriotti, jornalista
Sergio Xavier, jornalista
Simone Manocchio, jornalista
Vicent Sobrinho, jornalista
Yara Achôa, jornalista
* O texto é coletivo, com ideias discutidas por todos nós, que assinamos e combinamos de publicar em nossos blogs e veículos a partir das 7 horas da manhã.
Postado em: Atualidade, Reflexão por Yara Achôa às 7:04
12 Respostas para “Para que a tradição da São Silvestre seja respeitada”
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Nishi, em 15/setembro/2011 às 8:18 diz:
Eu não sou jornalista ou profissional da corrida, mas meu apoio está dado. Às armas, que neste caso são a discussão, a argumentação e a razão!
Shigueo, em 15/setembro/2011 às 8:37 diz:
Pangaré nipo-brasileiro, não jornalista, sub-amador, assina embaixo.
Nishi, em 15/setembro/2011 às 10:23 diz:
Yara, como vc fez no twitter, sugiro divulgar os blogs onde esse manifesto está sendo replicado, para ter um efeito multiplicador!
Claudia Aratangy, em 15/setembro/2011 às 15:14 diz:
Sou triatleta, mas participo de provas de corrida e corri a SS três vezes. Pessoalmente, acho a Yescom uma péssima organizadora de eventos e iria mais longe: a organização da SS deveria passar por uma concorrência, já que ela é um patrimônio público. De qualquer modo, assino embaixo do manifesto!
Rodrigo Angelino de Oliveira, em 15/setembro/2011 às 22:37 diz:
Yara, excelente texto… fico muito feliz em saber que existem pessoas empenhadas em não deixar que “matem” a mais representativa corrida de rua do Brasil. Comecei a correr por causa da SS, desde garoto sonhava em um dia participar desta prova. Vamos fazer um manifesto contrário à mudança da chegada!
Ricardo de Lima Carvalho, em 15/setembro/2011 às 22:50 diz:
Isso deve ter sido idéia de algum que mora no Ibirapuera querendo terminar a prova “pertinho de casa”…
Feliz de quem correu a prova, terminou o viaduto do Chá, contornou o Largo São Francisco e teve a Vista FENOMENAL dos 2KM da subida desafiadora e Fantástica da Brigadeiro…
Mudem o nome da corrida… Assassinaram a São Silvestre…
Alex Cysne (Aracaju/SE), em 16/setembro/2011 às 8:37 diz:
Yara, já divulguei entre os corredores aracajuanos.
———————————————————–
Valeu pelo apoio de todos!
Beijo
Yara
Fernando Siniscalchi, em 19/setembro/2011 às 23:29 diz:
Aqueles poucos metros que separam o final da Brigadeiro até o edificio Gazeta, na minha modesta opinião de corredor amador, são os metros mais especiais e inesquecíveis de qualquer um que tenha chegado até ali.
Para alguém, que como eu, consegue chegar duramente até aquele ponto. aquela esquina significa muito mais até que a própria linha de chegada. Eu considero isso um crime, no mínimo, inafiançável.
Tentando esquecer o fator tradicional da prova e indo apenas pelo lado prático, como fica a situação da maioria das pessoas, que vão até a Paulista de metro? E o enorme número de pessoas que vem de outras cidades e estados e não conhecem a região do Ibirapuera? E a confusão para encontrar os onibus guarda volumes de mais de 20 mil pessoas?
Tudo isso em nome de que? Do Reveillon do Faustão? Faça me um favor!
Julio Cesar, em 20/setembro/2011 às 16:15 diz:
Sugiro entrar na justiça contra a alteração do local da chegada, como fizeram no caso das medalhas antecipadas. Outra sugestão é a que ouvi na rádio Bandeirantes: Aumentar o valor da inscrição em 5 ou 7 x e colocar menos gente na prova pra caber na Paulista, isto é, eliminar a gentalha.
Julio Cesar, em 22/setembro/2011 às 15:54 diz:
Só pra constar: 42 (quarenta e duas) edições da SS não tiveram chegada na Av. Paulista.
Laura Sodré, em 25/setembro/2011 às 22:55 diz:
Yara, penso que nós “pangarés” deveríamos repensar a participação nas corridas da yescom.Corridas com 20 mil pessoas precisam de um planejamento diferente. Por que não varias largadas “ondas” e o pessoal da festa lá no final? Acredito que não seria necessário mudar o percurso.Só precisamos de respeito e bom senso. Um beijo.
Ivan Granja, em 28/setembro/2011 às 12:16 diz:
Assino embaixo.
Já mudaram demais. Por mim, ela voltaria a ser à meia-noite.
Qualquer modificação em suas características é o mesmo que querer mudar o Grande Prêmio de Mônaco de Fórmula 1 para um circuito oval de Fórmula Indy, ou seja, é inadmissível!