Revista Contra-Relógio

Yara Achôa é jornalista, mãe e corredora. E depois de sua maratona sub-4, vem se achando a tal! Ama correr no asfalto, mas também adora uma aventura na montanha.

// Eu corro porque…/

… vi a Maratona de SP na perspectiva do km 31…

21/junho/2011

Acredito que um dia farei a Maratona de SP, mas ainda não tive coragem. Desde sempre ouvi dizer que é uma prova dura e admiro quem encara esses 42K na terra da garoa – que no último domingo amanheceu com sol, beirando os 20 graus na largada, às 8h40 da manhã.

Mas não consigo ficar longe dela. Pelo terceiro ano consecutivo vou de expectadora, vejo amigos passarem e me emociono com as expressões de quem completa a prova.

Na primeira vez, me posicionei logo após a saída do Túnel Tribunal de Justiça, por volta do km 40.

No ano passado, corri a prova de 10K e depois fiquei na chegada, admirando quem cruzava a linha final.

Este ano, a pedido de um amigo – o Alexei Caio – que precisava de apoio, fui para o km 31, lá na USP.

Na “lancheira”, uma mexerica fresquinha e Pepsi gelada para entregar a ele – que é um diabético super consciente e se cuida como ninguém.

*** Conheça um pouco mais sobre o Alexei em:
As aventuras radicais de um diabético ***

Fui de bicicleta com o Guto, parceiro total.

Para chegarmos ao ponto marcado, fomos em sentido contrário ao dos corredores. Tivemos a oportunidade de ver as primeiras mulheres passando pela avenida JK e depois os homens.

Entramos no túnel Jânio Quadros, quando ainda passavam os primeiros corredores. Vazio, silencioso, frio.  Que solidão! Há que se ter muita determinação para encarar aquele trecho.

Depois, já na rua em direção à USP, havia um pouco mais de público, animando o percurso.

Enfim encontrei o km 31 – ponto bem agradável na usp – e lá me posicionei para esperar o Alexei.

Que vontade estar ali entre os corredores… A todo o momento lembrava das minhas maratonas – em especial da mais recente, no ano passado, em Buenos Aires.

Acho que até o km 30, se você treinou direitinho, dá para ir numa boa. Os 12 km seguintes, para mim é superação. Falta tão pouco e ao mesmo tempo parece tão longe a chegada… É a hora em que surgem as dores e as dúvidas.

O dia estava bonito em SP, a temperatura agradável. Mas para quem estava correndo, o sol do outono paulistano devia estar minando as energias – acho que muita gente teve de refazer os planos.

Acho lindo ver gente correndo. Ali, no 31, o observatório foi perfeito. Vi gente determinada, em passos firmes e fortes. Vi muitos corredores caminhando. Vi pessoas com dores. Vi gente que olhava quase que pedindo uma palavra de apoio.
Um olhar, um sorriso, um cumprimento direcionados aos maratonistas às vezes pareciam injetar um pouco de ânimo.

Por vezes me colocava na pele daqueles corredores e revivia emoções das minhas quatro maratonas. Certamente meus olhos brilhavam, porque eu acho muito, muito, muito legal correr uma maratona. Não canso de repetir: é uma das maiores emoções que você pode ter na vida.

Tive a oportunidade de ver e dar um grito de incentivo a vários amigos: Paulo Augusto, Iberê, Edu, Joel, Samuel, Emerson, Tomiko, Fausto… Reconheci outros tantos corredores habitues de provas, além de me divertir com aqueles que são verdadeiros “personagens”.

Lá pelas tantas recebi um sms do Alexei, dizendo que estava no km 24, e vinha em ritmo mais “sussa” do que o planejado.

Beleza, estava ali o esperando, com sua fruta e seu refri. Logo ele chegou, mediu sua glicemia, fez seu “piquenique” e seguiu adiante.

Foi legal poder ajudar 0 Alexei, com direito a fotinho (abaixo).

Adorei a experiência do km 31, o começo do fim da maratona.

Postado em: Atualidade, Gostei! por Yara Achôa às 1:12

25 Respostas para “… vi a Maratona de SP na perspectiva do km 31…”

  1. Oi Yarinha.. ótimo relato vendo a maratona de outra perspectiva!
    Eu imagino o quão gratificante é estar “nessa posição”. Eu que outro dia aguardava um amigo que corria 10km já fiquei emocionada em ver tanta gente concluir uma prova relativamente pequena, imagina uma maratona!

    bjs
    Jacke

  2. Oi Yara,
    É incrível mesmo a satisfação de ajudar e torcer para um amigo querido em qualquer corrida. Minha cunhada começou a correr há 1,5 ano atrás, nunca havia feito nada. Disciplinada, perseverante e alto astral, deixou a corrida mudar a vida dela e tudo mudou para melhor. Hoje é uma atleta que já correu sua segunda Meia Maratona e eu não me canso de me emocionar com ela.
    Esse prazer que a corrida nos proporciona, tanto no incentivo quanto no buscar e superar metas é incrível. Assistir uma Maratona é uma experiência muito emocionante.
    Meu objetivo é ser sub 4h como você e me anima muito pensar em correr literalmente atrás disso e imaginar olhar o relógio cruzando a chegada para comemorar. Eu que depois da primeira Maratona jurei para mim que nunca faria nenhuma outra.. Olha aí!
    Abc

  3. Olá Yara…vi vc no km 31, mas não a reconheci, já que sempre a vejo em uma foto pequena do facebook ou da Contra Relógio. Passei pelo 31 morrendo…com a camiseta twittersrun…vc ainda me incentivou. Até os 29 estava me sentindo bem, depois disso…rs!!! Terminei aos trancos e barrancos já que era minha primeira maratona. Aprendi a lição e ano que vem voltarei bem preparado. Valeu. Abraço.

  4. Parabéns, Alan! Quando eu via um “twittersrun”, amigos da minha assessoria ou mesmo pessoas que olhavam em minha direção, eu procurava incentivar. De muitos ganhei um sorriso ou um “valeu”, o que me deixou muito feliz também. Eu só não conseguia chamar pelo nome porque sou míope e não enxergava o nome escrito no número, rsrs. Obrigada pelo comentário e que venham as próximas!

  5. Oi, Lidiane! De vez em quando eu gosto de olhar a corrida de frente – a primeira vez que fiz isso foi em uma São Silvestre que eu não pude participar porque estava lesionada. A alegria da superação no rosto das pessoas não tem igual. E vambora correr atrás do sub 4. Beijo!

  6. Yara, fiz como você, vi a perspectiva da chegada dos campeões, depois de me sentir uma verdadeira maratonista em SP correndo apenas os 10 km. As expressões de dor, a queda no asfalto, a exaustão, o andar cambaleante, as câimbras nas passadas, é tudo um misto de surpresa por ver africanos e brasileiros tão preparados chegarem tão exauridos, orgulho por estar participando de momentos históricos da maratona e alegria por simplesmente poder estar ali.
    A próxima experiência será poder ajudar um atleta, assim como você fez. Parabéns!!

  7. Yara, acho lindo ver gente correndo – é quase tão bom quanto correr! Eu sempre me emociono em largadas e chegadas… :) Li a reportagem sobre teu amigo diabético e fiquei pensando nas pessoas que por uma simples dor de cabeça ou uma dorzinha menor preferem continuar sedentárias. Ele é um exemplo de inspiração! E você também, para que a gente seja mais aberto a ajudar outros atletas. Estão de parabéns!!!

  8. Yara, pena que não te vi. Corri a minha primeira maratona este domingo e hoje estou só o caco..hahaha
    Mas, é maravilhoso, indescritível. Não vejo a hora de fazer a próxima.
    Bjos

  9. Nem tudo foram flores. Mais uma vêz a Yes provou que é incapaz de organizar a maratona com decência – horário, infraestrutura, mil reclamações. Precisamos lutar por maratona profissional, mesmo, em sampa. Vejam o relato do Colucci em
    http://toticolucci.blogspot.com/2011/06/sao-paulo-precisa-de-uma-maratona.html

  10. Olá Yara!

    Bacana este seu relato, esta experiência diferente!
    E adorei sue ponto de vista: “…KM 31, o início do fim da maratona…”

    Um abraço!
    Kleber RG (atleta CUCA)
    http://www.maratonacorreria.com

  11. Pois é, corri um pouquinho com o Alexei ali no Jockey, mas ele tava tentando um sub-4 (plano A) ou baixar o tempo dele (plano B) e tava um pouco mais rápido. Porém, depois, quando eu ainda corria de um jeito digno (ou seja, antes do 26°km) eu acabei passando por ele, parado em um posto, e percebi a alteração pro plano C, que é completar bem a prova. Todo mundo fala mal da USP mas eu odeio mesmo é a Politécnica. Na USP a gente só recebe o reflexo do desgaste daquela avenida horrorosa… Mas, pelo jeito, deu tudo certo com o Alexei, ele sabe dosar as forças. Yara, pra quem já encarou tanta pedreira, SP não é tão ruim assim, só tem que ir consciente de ter que usar o jogo de cintura quando necessário, que é melhor contar com o próprio suporte e o apoio dos amigos e não ficar na dependência da organização da prova. Neste ano, ela não me deu nenhuma rasteira, mas eu continuo meio cético…

  12. Parabéns pela coragem e ousadia,correr uma maratona é muito além de treinos,como me disseram: Tem que ter muita cabeça. Minha primeira maratona foi SP/2010,apos o 23k,corri junto com uma outra corredora da equipe que foi dando dicas, isso ajudou muito ,principalmente depois dos 31k, alguns amigos martonistas, já tinham me avisado o perigo de quebrar proximo ao 35k, é muito importante vc ter companhia. O trecho na USP é cansativo, depois é bem mais animador. No 38k meu filho e nora foram ao meu encontro, estava bem, fiz no meu ritmo, o mais importante era terminar. Ao avistar o portal da chegada, não contive as lágrimas, foi muito emocionante, inesquecível .Cruzei a linha de chegada com os netos ao meu lado,na arquibancada os filhos, genros e marido estavam me esperando para comemorar…após 5h 39m 24s. Valeu Agnaldo Sampaio,pelos treinos,dicas e o mais importante “vai na boa , vc consegue ” . Em quatro anos saí dos 5km , para uma maratona, e depois para uma ultra-maratona de 6h. Infelizmente não pude correr este ano, aniversário da neta, mas vibrei muito por todos os corredores. Vamos lá Yara … em 2012 teu artigo será a Conquista dos 42k ,nos encontraremos por lá, com a graça de Deus.
    Marilene Diniz 56 ( mãe,avó,atleta)

  13. Olá Yara,

    Muito bacana sua percepção sobre o “começo do fim da maratona”.
    Sempre é bom conhecer mais sobre a Maratona.

    Bjs,

    Joca

  14. Oi, Marilene! Seu comentário me deu muito ânimo para continuar saboreando as dores e delícias de uma maratona, por muitos e muitos anos :)

  15. Belo relato Yara! valeu pelo incentivo!
    Essa foi minha 5ª maratona, a terceira em SP, mesmo assim sofri bastante a partir do 31, agora acho que chega de SP.
    Bj,
    P.A

  16. Muito legal seu relato e solidariedade com o Alexei.
    Nesta maratona depois do km 30, teve duas assessorias me oferecendo coca cola.O mesmo sentimento (solidariedade)tive em relaçao ao seu relato.

  17. E eu adorei sua postagem. Ao mesmo tempo que me deu ânimo a encarar a prova, percebo que se uma corredora preparada como você ainda não encara esta, imagine eu…ou seja calma…risos!

  18. Lindo depoimento, e ajudar ao próximo nunca é demais, e infelizmente não pude acompanhar um grande amigo corredor na prova, pois estava estudando na Pós, mas quem sabe a próxima corro com ele.
    Ainda vou correr uma Maratona, só assim vou saber que emoção é esta que toma parte ou um todo de nós corredores seja qual for a quilometragem, e acredito eu, que nos 42 esta sensação deva ser o máximo de tudo, já me emociono tanto quando vejo tantos depoimentos emocionantes, imagine cruzar a chegada dos 42, 195 KM. AMO CORRER

  19. Olá Yara, enquanto minha irmã corria a Maratona de SP (a segunda dela em SP e a terceira maratona no currículo) eu corria o Circuito Adidas em BSB na esperança de que, um dia, eu também consiga chegar aos 42km. abs.

  20. Como havia lhe dito a minha preparação tinha sido a melhor de todas, mas infelizmente foi a pior de todas que fiz. Aos trancos e barrancos não desisti e fui até o final o que minimizou a minha decepção.
    O apoio tem uma grande importância e foi um alento te ver na corrida.
    Muito obrigado.

  21. Yarinha… é isso ai mesmo! O que tenho mais saudades de meus primeiros anos de corrida… até + ou – 1982 – Quando as corridas não eram pagas. É da camaradagem dos corredores, naquela época o simples fato de ser corredor já nos aproximava automaticamente. Isso porque a grande maioria era muito igual – Não havia muitos produtos que diferenciassem muito um do outro, os relógios eram comuns, os tenis (poucas opçoes); as roupas mais genéricas. Atualmente há muita gente desfilando nas corridas, há muita gente que mesmo correndo não entendeu o espírito da corrida,há muita gente querendo só e exclusivamente NetWorking – Há muita gente querendo o que não somos. Eu e você e todos esses leitores que lhe escreveram tem o que eu gosto mais, digo, o que todos gostamos mais, da camaradagem de um simples sorriso, que é traduzido como : Obrigado por você ter vindo me ver correndo! Obrigado por você ser meu brother corredor! Valeu Yarinha! Continue assim! Essas atitudes fazem a diferença! bjs

  22. Grande Yara! Belo relato, com uma visão distinta sobre a maratona de SP. Realmente, depois do 30ºkm, a maratona de SP fica parecendo hospital de guerra. Agora, menção nominal? Não mereço tamanha honraria! Valeu! E nos vemos no Rio, né? Beijos

  23. Olá Yara, venho acompanhando seus comentários sobre corridas e tenho gostado muito é dessa maneira que aprendo muito sobre como correr uma maratona, é com o relato de corredores (as)que eu busco melhorar o meu condicionamento físico.
    Em 2010 corri a maratona de S/P ,completei a prova em 4:00hs e me machuquei muito ,foi então que lancei um desafio para mim mesmo.
    Eu voltaria a correr a maratona em 2011 em menos tempo e sem lesões e foi onde passei a buscar na internet relatos e dicas de corredores (as)e tudo que me interessava eu colocava em plática , fiz isso durante 11 meses até chegar o dia da maratona 2011 onde conclui o percurso em 3:09:51 hs, chegando ao final em boas condições físicas Graças a Deus.
    Quero que saiba que admiro pessoas como vc porque com seus relatos e gestos de apoiar um amigo outras pessoas podem aprender a fazer o mesmo e assim cada dia aumentar mais e mais as pessoas preocupadas em fazer o bem ao próximo.
    Grande abraço e muita saúde à vc…

  24. Oi, Yara! Há quanto tempo! Que legal esta sua “participação” nessa maratona! Com certeza, vc estava morrendo de vontade de correr, né? Eu também não corri esta. Quem sabe um dia… bons treinos! Bjs.

  25. […] 2011 fui para a USP, no km31, onde encontrei muita gente conhecida e entreguei o refrigerante gelado prometida ao amigo […]

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