Revista Contra-Relógio

Vicent Sobrinho é jornalista e desde que correu sua primeira corrida de rua, em abril de 1979, nunca mais parou. Dos 100 m à Maratona, já fez mais de 500 provas.

Brasileiro estréia em maratona na cidade de Buenos Aires

7/outubro/2011

Os leitores que me acompanham sabem que estou sempre buscando exaltar os nossos corredores de rua, valorizando os ídolos do nosso atletismo, todos ótimos exemplos de quando eu iniciava como corredor, por isso quero também passar essa sensação para os experientes relembrarem e para os novatos conhecerem quem foram e onde estão esses atletas. Até porque sabemos que atualmente estão cada vez mais raros ídolos brasileiros nesse nosso esporte. Muitos foram os ícones das corridas de rua e pista do Brasil paginados na nossa revista Contra Relógio – corredores e suas histórias que os tornaram famosos, como Elói Schelder o primeiro maratonista olímpico brasileiro. Edson Bergara - O Audaz – atleta que venceu todos de sua geração, mais de duas mil corridas. O destemido corredor – Diamantino Silveira – campeão em solo italiano -da tradicional Extra Milano, na época uma das mais importantes meia maratona do mundo. E falar de tradição é escrever sobre os nossos campeões da São Silvestre – de 1983 – o policial mineiro João da Mata quando disse que correr é um ato de amizade, e do eterno Bi-campeão da São Silvestre 1980 e 1985, o entregador de pizzas José João da Silva. Assim como as brilhantes atletas Roseli Machado e Maria Auxiliadora, a primeira mesmo mancando com toda a raça venceu também a São Silvestre em 1987. Já Auxiliadora, foi tema da edição de setembro, é considerada a Dama de Ferro da Ultra COMRADES… e tantos outros que ainda virão. Por todos tenho o prazer de escrever sobre a luta, as dificuldades, das conquistas e fundamentais vitórias de quem foi e é tão importante para continuidade do esporte que amamos tanto, a nossa Corrida.Para muitos leitores o perfil desses atletas, até então desconhecidos da geração atual, são estimulantes para a reflexão e continuidade na prática da corrida, e por isso não devem ser esquecidos, pois foram fundamentais para o que é hoje o mais participativo esporte brasileiro.
Certo dia, um leitor e corredor me questionou, você só tem falado dos atletas do passado e os novos? Assim, sempre que possível um atleta da nova safra será a novidade.


Apresento aqui o jovem Marcelo Barbosa de Souza, 26 anos, começou a correr em 2005 em sua cidade natal – Maringá/Pr. Talentoso, após vencer algumas corridas de rua e provas da região o destino começou a lhe sorrir ao ser convidado por ninguém menos que o medalhista olímpico Vanderlei Cordeiro de Lima, que lhe ofereceu treinamento específico e residência na república de atletas que o mesmo mantinha naquela cidade.

“Eu não poderia dispensar o convite do próprio Vanderlei Cordeiro de Lima.” Contou orgulhoso Marcelo. “Comecei correndo nas provas de rua, 5k e 10k, tive minha melhor marca foi em São Caetano do Sul, em 2004, quando conquistei a medalha de prata no campeonato brasileiro juvenil ao correr os 10 mil metros para 31m18. Na época eu não tinha nenhum clube, representava o Estado do Paraná.”

Em São Paulo desde março, Marcelo representa o Esporte Clube Pinheiros onde segue literalmente os passos de outro maratonista olímpico, José Telles, de quem é companheiro de treinamentos. “Com o José Teles estou aprendendo como deverei passar os 30k na prova, nos treinamos em média de 230 km por semana, dividido em dois períodos. Os 42k não me surpreendem, acho mais difícil o treinamento do que a prova. O ECP me dá todas as condições.”

A primeira maratona representando o Brasil.
No domingo, 9 de outubro, Buenos Aires dará a largada para mais de cinco mil corredores, com certeza mais de 600 brasileiros marcarão presença, Marcelo estará entre eles, largará na elite, e será sua primeira vez correndo fora do Brasil. “Minha família está feliz e eu, ansioso é a minha primeira maratona fora do país e também a minha primeira viagem de avião”. Marcelo Barbosa Souza correu apenas uma maratona, e marcou o tempo de 2:23:20s em Dourados/Mato Grosso, ele destacou: “fui o 2º colocado, estava quase 30 graus. Não é a toa que ela se chama Maratona do Fogo”. Brincou.

Fã de Marilson dos Santos e de Vanderlei Cordeiro, Marcelo vê a maratona como a prova mais clássica. “Eu vejo esses participantes com certo heroísmo. Afinal quem completa os 42k, mesmo os corredores mais lentos também chegam ao limite físico e mental as vezes até mais acabados que os líderes.Por isso acho interessante observar que essa prova começa sempre após os 30k.” O atleta do Pinheiros, estreante em maratonas, irá representar o Brasil e reconhece: “Dou graças ao Vanderlei me incentivou e foi quem no início me deu todo apoio, praticamente é meu segundo pai.” O jovem maratonista gosta de relembrar quando assistia pela televisão a maratona olimpica de Athenas. “Quando o Vanderlei foi derrubado na Maratona eu morava na república dos atletas que ele montou para nós em Maringá/Pr – Quando estou por alguma razão desanimado sempre penso sobre aquela atitude de voltar a correr após a queda e não desistir da medalha, essas imagens vêem na minha cabeça todos os momentos. Vanderlei é um exemplo a ser seguido!”

Marcelo já montou sua estratégia para a Maratona de Buenos Aires: “Gosto de mentalizar a prova, sei que melhoro minha velocidade sempre na segunda parte, a idéia é largar e ir estudando as passadas dos lideres até os 23k, e depois partir para o ataque, irei junto com José Teles de Souza, é um dos corredores mais regulares no Brasil, 2h12, 2h13 – é um espelho para mim. Treinamos juntos e estaremos na mesma largada. Correr com ele é realmente um orgulho para mim!”

Nós da Contra Relógio estamos na torcida pelos maratonistas brasileiros que lá estarão.

Postado em: Depoimento, Maratona, Personagens por Vicent Sobrinho às 0:54
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