Revista Contra-Relógio

Vicent Sobrinho é jornalista e desde que correu sua primeira corrida de rua, em abril de 1979, nunca mais parou. Dos 100 m à Maratona, já fez mais de 600 provas.

Medalha e Valores

12/janeiro/2016

Aos 14 anos com as minhas Primeiras duas medalhas – ouro e prata. E a sensação infantil e indescritível de ter sido um CAMPEÃO.
Agradeço toda noite em minhas orações por ter tido quando menino os bons exemplos e verdadeiros valores morais que aprendi no esporte –
Porque ao calçar um par de tenis, conga ou bamba me via no espelho um ídolo como: José João da Silva, Edson Bergara, Elói Schleder, Diamantino Silveira Dos Santos, Kleevansostenes Cícero Albuquerque, João do Pulo e os veteranos que muito me ensinaram o marchador  Srº Orlando de Carvalho,  e os maratonistas  Srº Elito Alves dos Santos e seu Décio de Oliveira Castro, entre tantos outros que eram os meus heróis do atletismo e eu ainda um adolescente sonhava em ser um também, e um dia subir por mérito no pódio.

vic meninoDe maneira alguma quero tirar o valor e o brilho do participante atual em conquistar sua medalha.
Quero apenas demonstrar como mudaram os valores. Cortar caminho, burlar, enganar eram indignos a um praticante das corridas. Como dizia meu av̫ РFio do Bigode Рsua atitude e palavra ̩ o que valem e eram assim naquelas ̩pocas que as medalhas eram m̩ritos pela conquista aguerrida na disputa.
Ao se inscrever numa corrida e concluir um percurso era tão simples e normal como a naturalidade de uma bola num jogo de futebol. Ou seja, não se ganhava nada por completar o trajeto, era sabido pelo participante que era o mínimo que teria que fazer – largar e chegar.
Por isso, naquelas duas décadas antes do milênio, o valor de uma medalha era imensamente maior do que nos últimos 20 anos.
Ah.. eu sou sim, e com muito orgulho de ser de uma época que a medalha, independente do tamanho pesava no pescoço, pois era por mérito e não pelo simples concluir. Eram tempos mais difíceis que os atuais, não tínhamos material esportivo adequado e nenhuma tecnologia nem em relógios, eletrônicos, têxteis e muito menos suplementos. Sou de um tempo que nunca se pagava para correr, pois, praticamente todas as provas de rua eram públicas e gratuitas. Assim foi até meados de 1985 quando apenas algumas cobravam e começavam a surgir medalhas de participação para todos os concluintes desde que pagasse a inscrição. E a Corrida foi se transformando num evento, do esportivo foi virando Lazer e o que era competitivo ficou morno e atletas em sua grande maioria muito humildes que tinham no esporte um horizonte para adquirir bolsas de universidades ou mesmo colégio técnico e algum pequeno benefício foram perdendo espaço pois, já não tinham o mesmo reconhecimento pelo grande número de provas sem expressão para a mídia da época. E o esporte democrático do povo foi se transformando em evento lucrativo, ok.. tudo evoluiu, ficaram mais organizadas, camisetas na inscrição, medalha garantida, repositor energético, água no percurso… Mas, e as disputas? E os troféus por equipes? E as categorias etárias que estimulavam os competidores em disputar o que chamávamos de CORRIDAS dentro das CORRIDAS .. cadê toda essa magia?
SUMIU! Assim como sumiram os craques de bola dos campos de várzea, sumiram os excelentes “diamantes” que surgiam nas provas gratuitas de rua, meninos e meninas, moças e rapazes da classe C e D que tinham esse como esporte gratuito. E era nessa gente simples que gostava de competir que seguiam se federando ao serem convidados pelos clubes, Associações Desportiva Classistas, Agremiações e tantas equipes da capital e do interior que revelavam nos campeonatos de pista, cross country os potenciais atletas, e principalmente alguns fenômenos que conquistaram e nos deram orgulho de sermos brasileiros por conquistarem méritos e levarem nosso verde e amarelo nos pódios além fronteiras.
Com o advento de ter que pagar para correr, o que antes era um democrático esporte, o atletismo, ou a simples corrida de rua que era pública com incentivos e realização de provas pelas secretárias de esporte dos municípios ou do Estado, ao transferirem toda a forma de organizar e realizar para os empresários dos eventos de corrida restringiram de uma forma crescente sufocando o surgimento de talentos e potenciais atletas que perderam o acesso as corridas populares que já não eram mais tão democráticas.
As ADC´s praticamente acabaram, a cada ano após a década de 90 os médios e grandes clubes diminuíram ainda mais a participação do atletismo o que a cada ano veio enfraquecendo a manutenção de atletas. Tudo isso culminou em não termos mais atletas suficientes para instigar nossos filhos, sobrinhos e netos … o mesmo aconteceu com o nosso futebol que com a escassez da várzea sumiram os craques que passaram a ser “formatados” com o crescimento das escolinhas pagas de futebol. E assim iremos para a olimpíada no BRASIL. Quantas medalhas traremos? E no Atletismo? Você arrisca um palpite?

Postado em: Atualidades, Crônica, Depoimento, Eu estava lá!, Historia da corrida de rua por Vicent Sobrinho às 1:21
4 comentários »

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