Revista Contra-Relógio

Sérgio Rocha é viciado em correr há mais de 10 anos. Além de ser editor de arte da revista, também atua como repórter da CR para justificar seu vício.

// Corredólatra/

Crônica de uma câibra anunciada

23/maio/2011

Ontem estava em Porto Alegre para correr o que seria minha quinta maratona. De acordo com o que eu vinha treinando, achava que era possível completar a prova entre 3h35 e 3h40. Acordei cedo, comi corretamente e fomos, eu e André Savazoni, companheiro de CR e vizinho de blog, para o local onde seria a largada, o Shopping Barra Sul (próximo ao Beira-Rio), estádio do Esporte Clube Internacional.

Pronto para a largada, desejei boa sorte para André e Fausto, nosso amigo de Jundiaí. Minha fórmula para o sucesso na maratona diz que eu tenho que fazer a prova em ritmo progressivo. Nos primeiros quilômetros planejava rodar entre 5:10 e 5:20 min/km até encaixar 5:05 min/km e tentar segurar nesse ritmo até o final.

No início tudo bem, mas por volta dos 5 km, percebi que não conseguiria correr mais rápido. O clima e o sol que se prenunciava era um aviso que eu deveria rever minha meta. Fechei comigo mesmo: “Vou tentar manter a média de 5:20 min/km  e fechar com 3h45, que já está de bom tamanho”. O problema foi que desde os 10 km apareceu uma ameaça de cãibra na panturrilha da perna direita. “Caramba, não é possível…”. Tinha feito tudo direitinho – almoço, janta, café da manhã, hidratação, gel de carboidrato – não fazia sentido.

A ameaça se tornou realidade no km 21 em forma de uma pontada que me fez parar quase que imediatamente. Me apoiei em uma árvore e alonguei a região durante alguns segundos e retomei o passo. Corria com uma ameaça contínua, até que senti de novo a fisgada. Parei e decidi tirar o tênis com o qual estava correndo (este) e decidi ir em frente correndo descalço, coisa que venho fazendo desde o início deste ano.

Parecia ter dado certo. Corri mais uns 4 quilômetros e passamos pelo Hotel onde estávamos hospedados, me aproveitei e pedi para que as recepcionistas guardassem meus tênis – que até então vinha carregando comigo, um em cada mão – e segui em frente. Foram mais uns 800 metros até que a câimbra decidiu dar o ar da graça de novo. E foi aí que lembrei das cãibras que tive quando participei da Maratona de São Paulo em 2007. Logo após o túnel que devolve os corredores para a av. Juscelino Kubitchek, em direção ao Parque do Ibirapuera (km 36?), elas atacaram a coxa esquerda, para depois migrar para a direita, fazendo com que eu tivesse que andar ou trotar até o final da prova morrendo de raiva e completar com 4h15, completamente arrasado.

Decidi que não iria me arrastar até o final lutando para tentar correr, tendo que para alongar o tempo todo. Dei meia-volta e fui para o Hotel. Contei com a compreensão e enorme bondade da recepcionista que emprestou R$ 20 do caixa para que eu pudesse pegar um taxi e ir de volta para o shopping e encontrar com o André e o Fausto, pegar minha mochila, carteira e também prosseguir com a cobertura da prova gaúcha.

Estou chateado? Sim e não. Sim , porque nunca é bom treinar para um objetivo e não conseguir alcançá-lo, mas o fato de eu não ter corrido os 42 km e não ter experimentado o desgaste físico da maratona, faz com que eu possa pensar em colocar a Maratona do Rio de Janeiro na mira e ainda salvar o meu ano.

Ainda tenho tempo para decidir.

ps  1: Falando pelo telefone com o Tomaz, logo após a prova, ouvi boas palavras de sabedoria: “Sergio, essa é a graça da maratona. Às vezes, não dá para completar por alguma razão. É muito raro isso acontecer em distâncias menores.”

ps 2 : Me sinto na obrigação de agradecer o pessoal da Even Faster, assessoria esportiva de Porto Alegre. Fernando Beltrami, colunista de Fisiologia do Esporte da CR é um dos sócios e sempre nos dizia que quando fossemos para a maratona Gaúcha, “tínhamos” que usar a estrutura da tenda equipe. Obrigado, pessoal!

Postado em: Maratona, Rumo à PoA, Sem categoria por Sérgio Rocha às 8:54

17 Respostas para “Crônica de uma câibra anunciada”

  1. Eita! Entucha de banana essa pança, bro! Sinistro! Engraçado esse negócio de cãibra: até onde eu sei ainda não tem uma explicação 100% definida.
    Mas, sobre sua decisão de não se arrastar, achei de suma sabedoria, coisa que só corredores experientes e seguros conseguem realizar. Dos males o menor…
    Não vai faltar oportunidade de “dar o troco” rsrs
    ua

  2. Valeu Sergião guerreiro! Só quem corre sabe que o corpo não é uma máquina que sempre responde como programamos. Vc foi sábio em parar, já se reprogramando para a próxima, sem se desgastar!
    Abraços

  3. Sérgio, realmente foi nobre de sua parte não querer terminar “de qualquer” jeit0!Como disse seu amigo, “dará o troco”, parabéns pela sábia atitude! Grande abraço!

  4. Sergio, acho que o Tomaz fez um comentário preciso. A graça da maratona está na possibilidade de não completá-la. Por melhor que estejamos treinados tudo pode acontecer. Vc pode chegar inteiraço no km 36 e quebrar no 40 e ser obrigado a abortar a meta. É isso. Bola pra frente e foco no futuro! Boa recuperação para vc! Abcs.

  5. Maninho,
    Finda esta maratona, agora é preparar para a próxima. Dias melhores virão.
    Abs,
    Cesinha

  6. Fala Sergio!! Foi o que falou, a graça da maratona esta nisto. As vezes tudo funciona as vezes não. E agora com certeza voltará com mais gana e garra para o Rio!! Foco no Rio!! abs http://www.loverun.com.br

  7. Olá Sergio!

    Meu pior fracasso com certeza foi a Maratona de Buenos Aires do mítico dia 10/10/10, que completei acima do tempo limite estipulado pela organização.

    Para mim a Maratona de POA durou 1:30 da minha casa até o aeroporto de Cumbica+1:30 de avião de SP para POA+4:17 correndo toda a Maratona+12:27 de POA até Curitiba+6:30 de Curitiba para SP+1:30 da rodoviária até minha casa+1:30 da minha casa até a redação da CR, foi justamente nesse local que terminou “minha corrida”, pois meu principal objetivo foi a cobertura do evento. Dessa vez vendi apenas uma foto, sei que fracassei dessa vez, mas tenho fé que seremos bem sucedidos na próxima maratona.

    Um dia o grande “Winston Churchill” disse “O sucesso é ir de fracasso em fracasso sem perder entusiasmo”.

    Portanto continuemos treinando, um grande abraço!!!

  8. Mania bêsta de ficar elogiando quem abandona. Tem que elogiar quem foi até o fim, mesmo com dores. Cãibras não são falta de sorte, são o resultado de diversos fatores, como despreparo muscular e falta de ingestão de alguns minerais. Experimenta umas cápsulas de electro ++ da próxima vez e pare com essa bobagem de correr descalço.

  9. E aí Sérgio td bom? Uma pena você não ter completado a Maratona de POA! Tomei café da manhã com você, o André e o Fausto no Hotel Master.

    Eu e meu irmão tá lembrado?

    Boa sorte aí na próxima maratona!

    Te falar Sérgio sofri com caimbras nas duas panturrilhas tbm a partir do km 31.

    Foda ! Sei mt bem o que você está falando!

  10. Fala Sérgio.
    Voce teve uma decisao sábia quando decidiu abandonar. Vc foi guerreiro.. O corpo nao é maquina.
    Lembro que tomamos cafe na mesma mesa la no hotel.
    Estava eu e meu irmao na mesa e vc falou. Mineiro corre demais.. kkkkk
    Eu e meu irmao tambem corremos descalço, é uma sensacao completamente diferente. Confesso que pensei em correr alguns km descalço. Mas o calor me desanimou um pouco.
    Abraços

  11. Agradeço a todos pela força :)

    Julião, você é o cara mais mau-humorado do mundo….rs
    Pelo jeito você sabe exatamente como eu me preparei para a maratona.
    Para de jogar amendoim em todo mundo! rs

    Abs

    Sergio

  12. Sergio,
    tem horas que desistir é o melhor caminho. Outras maratonas virão. Só você sabe o quão difícil foi tomar essa decisão depois de toda a preparação.
    abraço,
    Sergio
    corredorfeliz.blogspot.com

  13. Sérgião, Se nas minhas “quebras” eu tivesse o hotel por perto eu já ficava de banho tomado. Mas em todas eu tive que chegar na chegada para poder ir embora.
    Vamos pro Rio, dá tempo de sobra pra vc chegar bem lá.
    Abraço
    Colucci
    @antoniocolucci

  14. Grande Sérgio,

    Passei agora pelo seu blog e li seu relato sobre as cãimbras na Maratona de PoA.

    Ano passado, quando eu começava na aventura do Desafio das 6 Maratonas, em plena Maratona de SP, uma mistura desgaste físico e dores musculares me levou a me arrastar até o final da prova. Mas pior que a decepção pela prova mal conduzida foi a”certeza” que me veio à cabeça de que estaria fora daquela loucura (correr uma maratona) para sempre.

    Porém, semanas depois eu estava justamente em Porto Alegre fazendo uma maratona sensacional: sem dores, sem frustração e com um excelente tempo.

    Assim, parta para o Rio com vontade. Lá, você vai superar a decepção de SP.

    Estou inscrito para o Rio e na expectativa de fazer uma boa prova.

    Parabéns a você, ao Tomaz e a toda a equipe pelo “CR no ar” . É show de bola !!!

    Grande abraço,
    Tião Neto – Brasília (DF).

  15. Oi Tião,

    Desisti de correr a Maratona do Rio e agora estou no início do planejamento para a Maratona de Santa Catarina (2/10). Espero que vc detone no Rio. Obrigado pelo elogio ao “CR no Ar” :) Estamos nos esforçando para melhorar cada vez mais.

    Abs

    Sergio

  16. [...] Tive câibras à partir do km 21 e passando pela frente do hotel em que estava hospedado vi o final da minha prova ser desenhado. [...]

  17. [...] Ontem, em Porto Alegre, completei minha 6ª maratona. Seria a sétima, mas no ano passado no mesmo local, abandonei a prova (Leia aqui). [...]

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